Sabe que esses dias me veio um pedaço de memória da infância. Ainda criança, fui convidado por um tio que dava aulas em um colégio conceituado da minha cidade para participar de uma festa junina daquele colégio, ele professor deveria ajudar na organização de algumas daquelas barraquinhas típicas da festança junina. Então gentilmente me pediu para ficar em um daqueles atrativos aonde os meninos e meninas que se interessavam ou queriam de alguma forma se divertir com outro(a) pagam certa quantia para aquela pessoa ficar numa espécie de prisão caipira, confesso que a diversão era solta, mas em um determinado período da brincadeira, um dos meninos me chamou e me ofereceu algum dinheiro para que ele saísse daquele local, lembro-me que o bolso do garoto estava cheio de notas ( o que pra mim era absolutamente avesso a minha realidade), porém neguei e disse que ele continuaria ali o tempo estipulado para a brincadeira, ainda insistindo não conseguiu comprar aquela brincadeira.
Talvez essa memória tenha me chegado, pois me recordei de uma professora
que afirmava que alguns alunos em colégios particulares achavam a relação aluno
x professor estritamente econômica, o uso do "EU QUE PAGO SEU SALÁRIO
" para alguns se tornou banal. Claro que a culpa não está em ter muito ou
pouco dinheiro, muito menos no fato da escola ser particular, o fato talvez
esteja ligado à experiência de muitas crianças e adolescentes conviverem com
pais absolutamente alienados a educação e respeito ao próximo, independente de
seu saldo bancário. Se há alguma dúvida pergunte a algum professor (a)
conhecido que já lecionou em algum colégio particular se não houve casos
análogos ao mencionado. Poderia ter achado normal toda aquela atitude, mas me
espantei, não por querer ser politicamente correto ou "certinho
demais", talvez o espanto tenha se dado porque tão cedo o garoto queria
burlar as regras e em troca oferecer algum dinheiro para obter alguma vantagem,
casos parecidos encontraremos na política e outros campos da sociedade,
jeitinhos brasileiros, mas esse é papo pra outra passagem. O que realmente me
deixa feliz e que posso ter o prazer de também encontrar pais que possuem um
grande poder aquisitivo, ensinar aos filhos premissas fundamentais para sermos
humanos de verdade. Pais que deixam muito mais que heranças, deixam
LEGADOS.
"... Os educadores,
antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam serem
especialistas em amor: Intérpretes de sonhos."
Jefferson Elias
05/02/2014
05/02/2014
Um reflexão interessante.
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