quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

MEMÓRIA DA INFÂNCIA


 Sabe que esses dias me veio um pedaço de memória da infância. Ainda criança, fui convidado por um tio que dava aulas em um colégio conceituado da minha cidade para participar de uma festa junina daquele colégio, ele professor deveria ajudar na organização de algumas daquelas barraquinhas típicas da festança junina. Então gentilmente me pediu para ficar em um daqueles atrativos aonde os meninos e meninas que se interessavam ou queriam de alguma forma se divertir com outro(a) pagam certa quantia para aquela pessoa ficar numa espécie de prisão caipira, confesso que a diversão era solta, mas em um determinado período da brincadeira, um dos meninos me chamou e me ofereceu algum dinheiro para que ele saísse daquele local, lembro-me que o bolso do garoto estava cheio de notas ( o que pra mim era absolutamente avesso a minha realidade), porém neguei e disse que ele continuaria ali o tempo estipulado para a brincadeira, ainda insistindo não conseguiu comprar aquela brincadeira. 
 Talvez essa memória tenha me chegado, pois me recordei de uma professora que afirmava que alguns alunos em colégios particulares achavam a relação aluno x professor estritamente econômica, o uso do "EU QUE PAGO SEU SALÁRIO " para alguns se tornou banal. Claro que a culpa não está em ter muito ou pouco dinheiro, muito menos no fato da escola ser particular, o fato talvez esteja ligado à experiência de muitas crianças e adolescentes conviverem com pais absolutamente alienados a educação e respeito ao próximo, independente de seu saldo bancário. Se há alguma dúvida pergunte a algum professor (a) conhecido que já lecionou em algum colégio particular se não houve casos análogos ao mencionado. Poderia ter achado normal toda aquela atitude, mas me espantei, não por querer ser politicamente correto ou "certinho demais", talvez o espanto tenha se dado porque tão cedo o garoto queria burlar as regras e em troca oferecer algum dinheiro para obter alguma vantagem, casos parecidos encontraremos na política e outros campos da sociedade, jeitinhos brasileiros, mas esse é papo pra outra passagem. O que realmente me deixa feliz e que posso ter o prazer de também encontrar pais que possuem um grande poder aquisitivo, ensinar aos filhos premissas fundamentais para sermos humanos de verdade. Pais que deixam muito mais que heranças, deixam LEGADOS. 
"... Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam serem especialistas em amor: Intérpretes de sonhos."


Jefferson Elias  
05/02/2014