Não era nem meia-noite e ele já estava focado em meios aos cadernos e livros, nada além do normal. Tudo dentro dos padrões daquela vítima rotineira, o rosto enxugado na concentração das palavras e formas. Talvez o intruso já estivesse estudado a vítima, já estivesse calculado a posição exata de sua fraqueza, sabia suas fragilidades e seus medos. Talvez fosse um pouco mais da meia-noite quando o intruso adentrou pelas janelas com um vôo que parecia um avião com uma das turbinas com falhas, o barulho era assustador , ao olhar o intruso a vítima nem mesmo percebeu sua forma ou expressão apenas seu pedaço preto de um lado para o outro, o que restava a vítima era fechar os cadernos , empilhar os livros e partir pra luta aérea com aquele objeto não identificado, que insistia em voar pelos altos das paredes e atrapalhando seu estudo pela madrugada, nada restou, pegou uma folha daquelas anotações importante e partiu pra cima, afinal o intruso talvez fosse mil vezes menor que a vítima, e abrindo a janela para que o intruso pudesse sair como um foguete pelos ares vida afora, bateu com sua folha de anotações pra cima daquela figura. A folha deu um giro como se fosse uma espada a cortar em mil pedaços seu oponente , após o giro caiu sobre a pia e pra tristeza da vítima molhou toda sua espada-papel, aquelas anotações já não serviam para o propósito o qual ele tinha planejado, restou jogar pelo lixo, e partir para os livros emprestados da biblioteca, e com sua auto-confiança de ser superior mais uma vez se levantou e juntou suas formas para que mais do que tirasse o intruso pela janela afora deseja também tirar sua vida, encostado na geladeira o intruso o olhava e não parava com seu barulho infernal, a vítima não tinha como errar dessa vez , era matar ou matar, então lá se foi toda sua Power força , desengonçado saiu livro afora rumo a aquela pequena figura encostada na geladeira, e como um raio aquele inseto infeliz saiu pra direção contrária do livro, e como uma bomba aquele livro pegou em cheio o liquidificador em cima da geladeira , deixando assim peças quebradas por toda a cozinha ,deixando a vítima enfurecidas, aquele pequeno ser, já estava passando dos limites não restava outra alternativa do que senão partir para a arma fatal, pegar aquele Baygon na dispensa para terminar de vez com aquela luta. Então como num deboche de cowboy , a vítima pegou com toda precisão seu último recurso e como num susto o intruso passou assustado por todos os lados , a cada lado que ia, aquele líquido lhe seguia, passou pelas panelas com aquela quentinha preparada, que após esse mar de veneno não poderia ser usada, e pelas paredes o veneno o seguia, foi deixando um rasto horrível que provavelmente só outra pintura restauraria toda aquela mancha. Ainda sem ser atingido o intruso seguiu rumo a janela no qual passou a todo vapor , e como num deboche de ser inferior ainda ficou parado algum momento no varal da casa, olhou para a vítima com aqueles olhos que via tudo em formato de hexágono , provavelmente lamentou não ter tirado proveito de nada ali além daquela diversão com a vítima. E já era hora de partir , ajeitou seu corpo para a direção da lua e pela madrugada se foi , chegou até aquela coisa brilhante que tanta lhe atraía, e num êxtase foi até a luz , e como ao encontro do paraíso chegou lá , “relou” sobre ela ,e como num barulho de eletricidade caiu chão abaixo, a vítima correu na janela e viu seu intruso caindo como um anjo sobre aquele espaço de ar. Fechou a janela , fechou os livros os cadernos e como num luto foi se deitar.
Jefferson Elias 25/07/2011
